Inteiro como um mar, sereno como um pássaro

Repousa em mim essa dádiva de Deus

E de ti, o luar a escoar dos céus

Repousa no corpo mortificado, como um abraço

 

Terei de ti, a certeza da presença

Ou da ausência, a incerteza da vinda

Tu chamas-lhe uma qualquer doença

Mas eu chamo-lhe Amor, ainda.

 

E de resto, voltam-se aos velhos medos

E a vida gira num qualquer plano vital

Mas em ti tenho ânsias de animal

Poemas, paixões e quem sabe? Segredos!

 

Que possuir-te é apenas a derradeira casa

Onde me acolho, depois da vigilância

E tu recebes o meu corpo em ânsia

E voas com a minha própria asa.

 

Patético é o poema do amoroso

E eu sou o mais louco dos patetas

Mas eu vou-me rir todo desse gozo

No riso que é pertença dos poetas.

publicado por Luis Linhares às 14:20