Alma

18.04.09

Hoje não consigo escrever um poema.

A mão vai mexendo enquanto que a pena

Em vão vai buscando as linhas do Amor.

Poemas, poemas...Oh vinho maldito

Caindo nos lábios de alguém aflito

Por matar a sede com gotas de dor.

 

Noites se seguem a dias dispersos

Procurando a Musa dos meus tristes versos.

O lume que acende meus becos escuros

Poemas, poemas...Oh tristes palavras

Lancei-vos ao vento em ondas quebradas

Num mar sem navios e portos seguros

publicado por Luis Linhares às 09:51

Intervalos

08.04.09

Nasce-se a chorar acompanhado do sofrimento daquela que nos têm e morre-se acompanhado do choro daqueles que nos amaram. Nascer e Morrer. Entre estes dois está a Vida. Para nos rirmos de vez em quando...

publicado por Luis Linhares às 00:50

Sonho

08.04.09

Ventos fortes de ilusão
Vagueiam por entre os dedos
Minhas mãos em tua mão
Criando novos enredos.

Minha boca em teus espaços
Morde a taça dos bons vinhos
E os meus braços nos teus braços
Já traçam novos caminhos.

Lanço a sorte em teu regaço
As cartas do desatino
No teu ventre já eu passo
Vou descendo ao meu destino.

À fogueira que me espera
Onde eu próprio vou arder
Mas quero arder na quimera
E de novo renascer.

publicado por Luis Linhares às 00:49

Nada

08.04.09

Por trás das névoas de fumo
Que dum cigarro se escoam
Vejo as pedras que povoam
A estrada de um novo rumo.

Estendo a mão a apagar
A ilusão do caminho...
Já é noite e estou sozinho
Sem forças pra um novo andar.

publicado por Luis Linhares às 00:49

6h30

08.04.09

"Nada de novo",pensou ele,sentado à mesa daquele café com a bebida de sempre. "E no entanto aqui estou, a afundar-me no fundo de mais um copo sem sentido".Desviando os olhos pela vitrina, deparava-se-lhe o espectáculo lúgubre das pessoas anónimas a moverem-se para mais um dia."Pobres almas, vagueando pela vida como Ulisses no seu regresso de Tróia", pensou ele, alternado o olhar entre o circo do mundo e a bebida que se ia esgotando."Pobres almas, que correm para viver e acabam a viver para correr. Nada disto faz sentido". E levantando o olhar, pousou o copo.Lá estava ela.

publicado por Luis Linhares às 00:48

Consumado

08.04.09

Agora o meu corpo está ferido
Prostrado como um animal na terra
Aberto, sem acordo, estendido
Descansa nas beiradas desta guerra

Sangrando, vê as feridas que ficaram
Da luta de viver todos os dias
Das palavras e dos gestos que marcaram
Das promessas que esperava e não cumprias

Lutei, matei, mais eis que derrotado
Me estendo na espera dessa morte
E tu és o guerreiro, que elevado
Num golpe decidiu a minha Sorte...

publicado por Luis Linhares às 00:47

Naufrágio

08.04.09

Um dia vou fazer-me marinheiro, amor
No mar do teu cabelo em tempestade

Corrê-lo de Norte a Sul, e ao sol pôr
Ancorar na tua boca ao fim da tarde.

Aportar a essa ilha encantada
Onde os frutos sumarentos por trincar
Se abrem a uma boca esfomeada
Das delícias que tu tens pra eu provar.

Depois de saciada a imensa fome
Irei correr contigo nas palmeiras
Despir-te amar-te, depois gritar teu nome
Sozinho nos penhascos às horas derradeiras

Na noite vou contigo às enseadas
Perder-me nas falésias da paixão
Dessas encostas bravas,afiladas
Onde não restam ondas de razão

E quando amanhecer, eu vou partir
Da ilha onde amei teu corpo quente
Deita-te à beira-mar, e a sorrir
Olha o horizonte...eu volto novamente

publicado por Luis Linhares às 00:47

Poesia sem Valor

08.04.09

Deixem-me escrever uma poesia sem valor...
Espetar palavras, juntar letras
Sem sentido.
Escrever por escrever
Não quero preocupar-me com a métrica
Com a ordem
Com a rima
Só quero escrever escrever escrever
Escrever escrever escrever escrever
Escrever escrever escrever escrever

No lume das palavras,nas ditas ou escritas
Arde a vaidade do meu desejo
Sangram os sentidos tolhidos pela razão
Palpita um coração
E um beijo.

Só quero que me deixem escrever.
Sem sentido...
Só quero que me deixem viver
Sem sentido...
Só quero que me deixem morrer
Sem sentido...

No verdadeiro sentido disto tudo

publicado por Luis Linhares às 00:44

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