Onde

07.07.09

Onde a palavra não foi dita

Onde o luar não cessou

Onde o sangue se agita

Onde a coruja voou

Onde os passos se cruzaram

Onde o caminho é secreto

Onde os corpos se juntaram

Onde os lábios estavam perto

Onde o olhar se retorna

Onde o mundo se revela

Onde o breu se transforma

Numa nova aguarela

Onde uma rapariga corre

Descalça à beira do mar

Onde uma vida se escorre

No tempo de te esperar

Aí me vais encontrar

publicado por Luis Linhares às 00:02

Condição

05.07.09

Há noites em que o peso do mundo é tanto

Que um homem mal se aguenta de pé

Apenas um copo vazio lhe dá a fé

De aguentar mais um bocado o pranto

 

Há noites assim, noites de fantasmas

A assolar a alma de quem se fica

Do moribundo que em silêncio grita

Palavras sem sentido, desvairadas.

 

Deixai-nos descansar, nós os poetas

Deixai-nos escever enquanto há tempo

Servir a alma ardida em fogo lento

Palavras sensuais e tão secretas.

 

Faz-se o que se pode para sobreviver

Na guerra vale tudo, até a Poesia

Matar morrer, viver pra mais um dia

Quer seja para amar ou escrever

 

 

 

 

publicado por Luis Linhares às 13:26

Sonambulismo

04.07.09

Enleado fico num vago pensamento

O dia passa e as pessoas correm

Há uns que nascem enquanto outros morrem

E eu assim me deixo desatento.

 

Cismo em mim, e só comigo

Em volta um teatro se revela

O mundo é todo um quadro, uma tela

Mas eu não olho, assim que estou perdido

 

O dia corre, vida desenrolada

Reflecte em mim a luz do entardecer

Há uma rapariga a prometer

A um rapaz um beijo que guardava.

 

O dia passa, passou, anoiteceu

Acordo assim que acabo de pensar

Mas já é tarde, resta-me perguntar:

"Mas afinal o que é que aconteceu?"

 

 

publicado por Luis Linhares às 17:33

Algo

02.07.09

 

Há pouca esperança nos meus passos

É tudo treva, o lume já não arde

Há muros que se erguem nos espaços

Nas ruas percorridas da cidade

 

Eu vou andando, pergunto a quem responde

"É por aqui?", o mapa do teu cheiro

Sei que os teus passos te levaram longe

Perdi-os no meio do nevoeiro

 

E hoje sou boémio decadente

Vestido com a noite sempre escura

As ruas são desertas, para sempre

Vagueio nesse mar de amargura

publicado por Luis Linhares às 20:32

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