Mãos e moldes

19.08.09

Quebrei o molde que me dava forma

A forma dada pelas mãos de barro

Da roda do oleiro eu me desgarro

E nunca mais essa prisão me adorna.

 

Não quis ser peça de uma exposição

Ser alvo de um olhar passageiro

Daqueles que na humana procissão

Comparam a beleza com dinheiro.

 

Eu sou de uma fornada mal cozida

De uma argamassa pervertida

Argila que ninguém soube moldar

 

Sou vaso ruim pra estar no expositor

Não sou dos que saem pra dar valor

Sou ruim porque não sou para quebrar.

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Luis Linhares às 18:25

Lamentação

18.08.09

 

Não  venhas agora às horas tardias

Com a palavra que já de si está gasta

Agora que a memória se me afasta

De que me valem tuas vãs filosofias?

 

Não viste?Já passaram andorinhas

A anunciar a nossa Primavera

Quis ver nascer de nós flores de quimera

Mas tu trocaste-as por ervas daninhas 

 

Agora o tempo é outro, outro fado

A vida é outra, vivida noutro lado

Fiquei pra cá, com tudo o que me resta

 

Ouvir-te é agora um grito alucinado

É acordar no peito recalcado 

Um lince adormecido na floresta

 

publicado por Luis Linhares às 22:41

Viagens na minha viagem

17.08.09

Sou como Quixote, devoto cavaleiro

Tendo os meus moinhos na longa jornada

Fazendo dos dias uma nova estrada

Na busca de algo puro e verdadeiro

 

Sou como o rei que um dia existiu

Sebastião era, caído na areia

A loucura levou-o à então derradeira

Morada do sono..pra sempre dormiu

 

Sou como Colombo, nos mares da memória

No rumo seguido na rota do vento

Procurando as Índias, não falte o alento

Navegando sempre nas asas da história

 

Sou como Cleópatra, querer ser divino

Querer ser mais alto por entre os mortais

Não ter uma vida como os animais

Que apenas existem cumprindo um destino

 

Eu sou como tantos na ponta das mãos

Por entre os meus dedos, saio desde mim

Para outros prazeres, volúpias sem fim

Para outras dores, outra redenção

 

Louco ou poeta, rei ou marinheiro

Na ponta da pena o tempo adormece

Nada é derradeiro, tudo me parece

Como se o visse no dia primeiro

 

Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu

Eu posso ser tantos, ser todos contudo

Quando pouso a mão no fim disto tudo

Olho para mim...apenas sou eu 

 

 

 

publicado por Luis Linhares às 02:17

Retorno breve

08.08.09

Reflecte a Estrela da Manhã

No lago espelhado de outrora

Agora

O tempo é um repouso

E em silêncio, ouso

Adormecer

No lado de lá.

 

Nem um vento se agita

Na paz do mundo

A pena aflita

Descansa.

Que bom adormecer

E não mais escrever

Sou de novo criança.

 

 

 

 

publicado por Luis Linhares às 22:19

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