Gastei as mãos de escrever

Linhas banais de palavras.

Tanto é o verso a escorrer

Tanta é a vida a perder

Nas linhas por mim criadas.

 

Tanto verso sem sentido.

Tanta linha amargurada.

Tanto eu que é escorrido

Espalhado e estendido

Para nada nada nada.

 

Mas as mãos são para gastar

Para escrever, para amar

Para te amar dia-a-dia

Para que saibas de cor

Que para além desta dor

Há beleza e alegria

Que existe algo que é maior

Que os versos que eu te trazia

Que as palavras que dizia

Sem presunção e pudor

 

Tanto linha dolorida.

Tantas palavras a mais.

Vazias como um cais

Às horas da despedida.

Bebedeiras casuais

Da minha melancolia

Às horas mais infernais

Bebo dor e nostalgia

À mesa dos comensais

Bebo isso e muito mais

Ó Poesia.

 

 

 

 

 

 

publicado por Luis Linhares às 11:39