Quando a saudade nocturna

Te envolver a murmurar

Sussurros de solidão.

Quando se adensar a bruma

Negra e sem qualquer luar

Derramado sobre o chão.

 

Quando nada em ti revês

A não ser as mãos vazias

Desfiando triste pranto.

Caindo então a teus pés

Rumores das águas sombrias

Desaguam teu encanto.

 

E olhando da vidraça

O mundo que não responde

Aos teus apelos de dor…

Desconhece toda a graça

Da donzela que esconde

Palavras frágeis de Amor.

 

Mas a rubra alvorada

Já reflecte na colina

E na face revelada

Do teu rosto de menina

Toda a noite se esquece

Em todas as madrugadas

Todo o teu corpo estremece

Nas minhas mãos enlaçadas

 

Tudo em ti é recomeço

Tudo é céu e alegria

E nesse Amor reconheço

Meu Amor de mais um dia.

 

sinto-me: perdido
publicado por Luis Linhares às 02:41