Este poema é uma adaptação do poema "Naufrágio"

 

Um dia vou fazer-me marinheiro, amor
No mar do teu cabelo em tempestade
Perder-me
de Norte a Sul, e ao sol-pôr
Ancorar na tua boca ao fim da tarde.

Aportar a essa ilha encantada

Promessa dos prazeres mais sensuais

De água fresca, fruta adocicada

Rumores dos pecados mais carnais.

 

De areia fina sabe-me o teu beijo

Frescura que me lembra a maresia

Mistura de marés e de desejo

Com sal e travos de melancolia.

 

Teus olhos são luares derramados

Piratas navegando aventureiros

Adamastores que vivem nos seus Cabos

A atormentar incautos marinheiros.

 

Teu corpo é a ardência que consome

O corpo que ofereci a essa fogueira

O alimento que me mata a fome

Me tira a vida e me devolve inteira.

 

Ó ilha que me fazes naufragar

Pudesse eu viver eternamente

Não ter de ir…e assim poder ficar

Naufrágio em ti…Naufrágio para sempre…

 

publicado por Luis Linhares às 02:53