Traços leves de outro tempo

De outro lugar de magia

Sons distantes, traz-me o vento

Harpa ardente ou harmonia?

 

Suave rumor de um lugar

Onde as águas correm puras

Quem me chama? Ao luar

Quando as noites são escuras?

 

Quem me vem matar a fome?

Alimentar a alma aflita?

Incandescência sem nome

Quem é que em meus lábios grita?

 

Quem me dá a paz e a guerra?

A tristeza e a alegria?

Não tem nome o que se encerra

No finar de cada dia?

 

Ah és tu minha tormenta?

Quando a noite cai serena

Quando até o Amor se inventa

Em cada mover da pena?

 

Vens outra vez sussurrar-me

Um rosário de pecados?

Vens cada noite matar-me

Tirar-me a vida aos bocados?

 

Deita-te então no meu leito

Corpo ardente em cama fria

E grava a fogo no meu peito

O teu nome…Poesia!

 

E possamos conceber

Por pensamentos retortos

O novo verso a nascer

Do suor dos nossos corpos…

publicado por Luis Linhares às 03:55