Um dia vou fazer-me marinheiro, amor
No mar do teu cabelo em tempestade

Corrê-lo de Norte a Sul, e ao sol pôr
Ancorar na tua boca ao fim da tarde.

Aportar a essa ilha encantada
Onde os frutos sumarentos por trincar
Se abrem a uma boca esfomeada
Das delícias que tu tens pra eu provar.

Depois de saciada a imensa fome
Irei correr contigo nas palmeiras
Despir-te amar-te, depois gritar teu nome
Sozinho nos penhascos às horas derradeiras

Na noite vou contigo às enseadas
Perder-me nas falésias da paixão
Dessas encostas bravas,afiladas
Onde não restam ondas de razão

E quando amanhecer, eu vou partir
Da ilha onde amei teu corpo quente
Deita-te à beira-mar, e a sorrir
Olha o horizonte...eu volto novamente

publicado por Luis Linhares às 00:47