Sou como Quixote, devoto cavaleiro

Tendo os meus moinhos na longa jornada

Fazendo dos dias uma nova estrada

Na busca de algo puro e verdadeiro

 

Sou como o rei que um dia existiu

Sebastião era, caído na areia

A loucura levou-o à então derradeira

Morada do sono..pra sempre dormiu

 

Sou como Colombo, nos mares da memória

No rumo seguido na rota do vento

Procurando as Índias, não falte o alento

Navegando sempre nas asas da história

 

Sou como Cleópatra, querer ser divino

Querer ser mais alto por entre os mortais

Não ter uma vida como os animais

Que apenas existem cumprindo um destino

 

Eu sou como tantos na ponta das mãos

Por entre os meus dedos, saio desde mim

Para outros prazeres, volúpias sem fim

Para outras dores, outra redenção

 

Louco ou poeta, rei ou marinheiro

Na ponta da pena o tempo adormece

Nada é derradeiro, tudo me parece

Como se o visse no dia primeiro

 

Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu

Eu posso ser tantos, ser todos contudo

Quando pouso a mão no fim disto tudo

Olho para mim...apenas sou eu 

 

 

 

publicado por Luis Linhares às 02:17