Não  venhas agora às horas tardias

Com a palavra que já de si está gasta

Agora que a memória se me afasta

De que me valem tuas vãs filosofias?

 

Não viste?Já passaram andorinhas

A anunciar a nossa Primavera

Quis ver nascer de nós flores de quimera

Mas tu trocaste-as por ervas daninhas 

 

Agora o tempo é outro, outro fado

A vida é outra, vivida noutro lado

Fiquei pra cá, com tudo o que me resta

 

Ouvir-te é agora um grito alucinado

É acordar no peito recalcado 

Um lince adormecido na floresta

 

publicado por Luis Linhares às 22:41