Quando ao abismo caíres

Alma pesarosa

Lembra-te porque estás lá

Range os dentes

Mói os ossos

Rasga as vestes da tristeza.

Na vida não há certeza

Apenas os nossos

Dolentes

Passeios da vivência.

Por isso não te demores

Pela podridão humana

Desce e fica, mas não te habitues

Às prisões do corpo.

Porque assim que caíres

Na roda infernal

O moinho não para

E a descida sai-te cara

Iludido.

Dá o que é devido

Às bocas escancaradas dos teus medos

Dá o sangue, dá de ti

Dá as unhas e os dedos

E então tem paciência

E subirás novamente

Ao alvorecer da tua nova existência.

 

publicado por Luis Linhares às 21:49