Eu quis tocar um dia na face de Deus

Sentir a brisa a emanar de cima

Louvar com mãos viradas para os céus

Num altar concebido numa rima

 

Eu quis divinizar a Poesia

Fazer dela a verdade permanente

Nos rosários da pena fugidia

Criar o verso que me faça crente

 

Concebi a Babel de meus pecados

As penitências de sonetos vagos

A torre erguida sem lhe ver fim

 

Mas a ruína veios a passos certos

Caíu a torre, foram-se os meus versos

Ficou só o descrente que há em mim.

 

 

 

publicado por Luis Linhares às 23:29