Suspende-se no meu espaço uma indefinível crispação

Um traço indelével de um qualquer vácuo sem forma

Um frio que se me entranha por entre a derme e a palpitação

Como um cair de noite sobre uma cidade morna

Gotejar  irregular de um coração que  dir-se-ia moribundo

Sente-se no ar um abismo sem definição e fundo.

 

Arranco às unhas palavras que escrevam orientações

Bússolas  e lábios, rumos de outras polaridades

Cai-me de mim um vinho com o sabor dos limões

Acidez de poetas a  decantar as saudades

Dir-se-ia que estou só no meio da multidão

Mas não existem clichés que abarquem a solidão.

 

 

publicado por Luis Linhares às 01:46