Recaída parte 0

23.07.10

 

Inebriado volto o olhar

Para o lado de um sol poente

E na tarde, nua e quente

De costas dadas ao mar

Penso estar,serenamente

 

Lugar das coisas secretas

Onde as águas adormecem

E nas horas que acontecem

Das pulsações insurrectas

Palavras breves fenecem.

 

Alma cheia de salina

Mãos ardentes das areias

A pulsar por entre as veias

E uma boca porpurina

Embalando estas ideias.

publicado por Luis Linhares às 12:02

Poema do Adeus

06.06.10

E agora que a hora se aproxima

De te dizer adeus, e tudo se fenece

Nas últimas palavras, derradeiras

Como a luz que ainda aparece

Nos teus olhos

 

Adeus, vou ali ao outro lado de cima

Derrotar o Adamastor, subir por fim a colina

bebedeiras casuais do amor, da nostalgia

Adeus, amigos, adeus Poesia

Até um dia!

publicado por Luis Linhares às 12:16

Bêbado mas ao menos Infeliz naquelas horas em que nem é dia nem é noite

29.03.10

Inteiro como um mar, sereno como um pássaro

Repousa em mim essa dádiva de Deus

E de ti, o luar a escoar dos céus

Repousa no corpo mortificado, como um abraço

 

Terei de ti, a certeza da presença

Ou da ausência, a incerteza da vinda

Tu chamas-lhe uma qualquer doença

Mas eu chamo-lhe Amor, ainda.

 

E de resto, voltam-se aos velhos medos

E a vida gira num qualquer plano vital

Mas em ti tenho ânsias de animal

Poemas, paixões e quem sabe? Segredos!

 

Que possuir-te é apenas a derradeira casa

Onde me acolho, depois da vigilância

E tu recebes o meu corpo em ânsia

E voas com a minha própria asa.

 

Patético é o poema do amoroso

E eu sou o mais louco dos patetas

Mas eu vou-me rir todo desse gozo

No riso que é pertença dos poetas.

publicado por Luis Linhares às 14:20

Palavras da Utopia

29.03.10

Invejam-me os ferozes concorrentes

Porque eu não sou da mesma carne fraca

Porque eu não partilhei dessa ressaca

Que faz desses coitados uns doentes

 

Invejam-me! E procuram derrubar-me

E querem alagar o meu caminho

E querem fazer de mim uma Infame

E pôr-me a delirar como um velhinho

 

Mas eu faço das forças…Utopia!

Das Palavras…e desse que dizia

Avança Infanta…Mata o Adamastor

 

Porque essa que partilha desta luta

Ela é a invencível…a astuta

Que canta a Poesia e o Amor.

publicado por Luis Linhares às 14:18

XIII

29.03.10

Blá blá blá senhores doutores?

Já chega de blá blá blá

E não tentem convencer

Este velho de corrida

Que a vossa filosofia

Cheia de pretensão e vaga ironia

É a melhor da vida

É aposta certa e ganha

Para quem quiser concorrer

Porque aqueles como eu

Que despertam o olhar

Para o teatro do mundo

Esses

Vêem mais fundo

Porque o poeta

Não distingue Doutor de Engenheiro

Não reconhece Padre ou Paneleiro

O poeta

Só vive para ter a certeza

Que a incerteza é companhia

Por isso senhores

Não venham ao fim do dia

Armados em intelectuais

Vocês

E outros que tais

Não sabem o que é

A Poesia.

Isso sim é algo que vale a pena aparecer nos Jornais!

publicado por Luis Linhares às 14:18

XII ou XXIV/2

29.03.10

Mata-me a sede de te possuir

E não há agua que me valha

Nem bruxedos que tragam a mim

A presença desejada

A tua presença

Pura

Etérea

Desvelada

Apartou-se como uma tarde quente de verão

Como um sopro de Zéfiros

A memória desse ventre

Desses lábios

Dessa boca

Desse tudo

Que se agarra ao pensamento como uma espada

Que me mutila

Sucessiva e eficazmente

Leva-me de Infinito

A quase nada.

publicado por Luis Linhares às 14:16

X

29.03.10

De ti nada mais que água

Videira brava e incerta

Frémito de uma fera esperta

Amor, Amor=Mágoa

publicado por Luis Linhares às 14:14

IX

29.03.10

Em ti renovo a promessa

publicado por Luis Linhares às 14:13

Delírio ou não

29.03.10

Amor, se este ter-te ou então não ter-te

For como o anunciar da morte certa

For predizer em mim a chaga aberta

De te querer dizer e desdizer-te

 

Se for ter pelos dias um carrasco

A martelar no peito o sacrifício

Amor, eu quererei esse suplício

Esse maldito vinho velho e rasco

 

Essa cicuta! Eu beberei da taça

E nela, reflectida a tua graça

O Anjo que a minha morte anuncia

 

Porque se és tu a Vida que eu procuro

Para a viver…eu morro pró futuro

E troco o mundo pela lage fria!

publicado por Luis Linhares às 14:10

VI

29.03.10

Ser poeta é ser mais alto? Era bom

Se ser poeta fosse só uma alegria

Se o partilhar do triste triste dom

Fosse o alimento para qualquer dia

 

Ser poeta é viver calvário certo

É ser a alma penada sem guarida

É ser um pobre nesta pobre vida

É procurar frescura no deserto

 

Poeta é ser freguês da amargura

É carregar, na face dura e crua

Um olhar triste, tão pesaroso e vago

 

Amigos! Ser poeta é não ter nada

É ter por paz a noite mais pesada

E compensa-la com um vinho amargo.

publicado por Luis Linhares às 14:10

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