Bêbado mas ao menos Infeliz naquelas horas em que nem é dia nem é noite

29.03.10

Inteiro como um mar, sereno como um pássaro

Repousa em mim essa dádiva de Deus

E de ti, o luar a escoar dos céus

Repousa no corpo mortificado, como um abraço

 

Terei de ti, a certeza da presença

Ou da ausência, a incerteza da vinda

Tu chamas-lhe uma qualquer doença

Mas eu chamo-lhe Amor, ainda.

 

E de resto, voltam-se aos velhos medos

E a vida gira num qualquer plano vital

Mas em ti tenho ânsias de animal

Poemas, paixões e quem sabe? Segredos!

 

Que possuir-te é apenas a derradeira casa

Onde me acolho, depois da vigilância

E tu recebes o meu corpo em ânsia

E voas com a minha própria asa.

 

Patético é o poema do amoroso

E eu sou o mais louco dos patetas

Mas eu vou-me rir todo desse gozo

No riso que é pertença dos poetas.

publicado por Luis Linhares às 14:20

Palavras da Utopia

29.03.10

Invejam-me os ferozes concorrentes

Porque eu não sou da mesma carne fraca

Porque eu não partilhei dessa ressaca

Que faz desses coitados uns doentes

 

Invejam-me! E procuram derrubar-me

E querem alagar o meu caminho

E querem fazer de mim uma Infame

E pôr-me a delirar como um velhinho

 

Mas eu faço das forças…Utopia!

Das Palavras…e desse que dizia

Avança Infanta…Mata o Adamastor

 

Porque essa que partilha desta luta

Ela é a invencível…a astuta

Que canta a Poesia e o Amor.

publicado por Luis Linhares às 14:18

XIII

29.03.10

Blá blá blá senhores doutores?

Já chega de blá blá blá

E não tentem convencer

Este velho de corrida

Que a vossa filosofia

Cheia de pretensão e vaga ironia

É a melhor da vida

É aposta certa e ganha

Para quem quiser concorrer

Porque aqueles como eu

Que despertam o olhar

Para o teatro do mundo

Esses

Vêem mais fundo

Porque o poeta

Não distingue Doutor de Engenheiro

Não reconhece Padre ou Paneleiro

O poeta

Só vive para ter a certeza

Que a incerteza é companhia

Por isso senhores

Não venham ao fim do dia

Armados em intelectuais

Vocês

E outros que tais

Não sabem o que é

A Poesia.

Isso sim é algo que vale a pena aparecer nos Jornais!

publicado por Luis Linhares às 14:18

XII ou XXIV/2

29.03.10

Mata-me a sede de te possuir

E não há agua que me valha

Nem bruxedos que tragam a mim

A presença desejada

A tua presença

Pura

Etérea

Desvelada

Apartou-se como uma tarde quente de verão

Como um sopro de Zéfiros

A memória desse ventre

Desses lábios

Dessa boca

Desse tudo

Que se agarra ao pensamento como uma espada

Que me mutila

Sucessiva e eficazmente

Leva-me de Infinito

A quase nada.

publicado por Luis Linhares às 14:16

XI

29.03.10

Diz-me Antero, onde caminha o Soneto

 

Que me traga o Paraíso

 

E o corpo ardente de volúpia?

publicado por Luis Linhares às 14:14

X

29.03.10

De ti nada mais que água

Videira brava e incerta

Frémito de uma fera esperta

Amor, Amor=Mágoa

publicado por Luis Linhares às 14:14

IX

29.03.10

Em ti renovo a promessa

publicado por Luis Linhares às 14:13

Delírio ou não

29.03.10

Amor, se este ter-te ou então não ter-te

For como o anunciar da morte certa

For predizer em mim a chaga aberta

De te querer dizer e desdizer-te

 

Se for ter pelos dias um carrasco

A martelar no peito o sacrifício

Amor, eu quererei esse suplício

Esse maldito vinho velho e rasco

 

Essa cicuta! Eu beberei da taça

E nela, reflectida a tua graça

O Anjo que a minha morte anuncia

 

Porque se és tu a Vida que eu procuro

Para a viver…eu morro pró futuro

E troco o mundo pela lage fria!

publicado por Luis Linhares às 14:10

VI

29.03.10

Ser poeta é ser mais alto? Era bom

Se ser poeta fosse só uma alegria

Se o partilhar do triste triste dom

Fosse o alimento para qualquer dia

 

Ser poeta é viver calvário certo

É ser a alma penada sem guarida

É ser um pobre nesta pobre vida

É procurar frescura no deserto

 

Poeta é ser freguês da amargura

É carregar, na face dura e crua

Um olhar triste, tão pesaroso e vago

 

Amigos! Ser poeta é não ter nada

É ter por paz a noite mais pesada

E compensa-la com um vinho amargo.

publicado por Luis Linhares às 14:10

Soneto do cidadão comum

29.03.10

Entre as casas onde um rosto germinava

Nas vielas, a fugir por entre os muros

Entre as putas e os velhos de olhos duros

Procurei, solitário, essa palavra

 

Que me desse a nova luz da existência

Um luar derramado nas janelas

Novos ventos, novos sonhos, caravelas

Algo mais do que a triste penitência

 

No vagar triste e louco de andarilho

Eu vagueio, e voltando a esse trilho

Eu procuro, o teu nome em meu olhar

 

Mas o rosto não ficou por essa rua

E o teu nome, e a tua beleza nua

Apartaram-se, para nunca mais voltar

publicado por Luis Linhares às 14:06

V

29.03.10

São obscuros os teus domínios

E, agoniantes, as urzes que te cobrem

Definham como um poente de amarguras

As rosas que outrora perfumavam

Essas avenidas.

 

Nessa casa, pousam os corvos

Repicam sinos na noite

Na mansão de fantasmas povoada

A tua alma é uma porta fechada

Onde mora um Diabo desfigurado.

publicado por Luis Linhares às 14:03

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